"Chamo-me Cátia. Namorei por três anos. Quando conheci o António, ambos tínhamos 17 anos. Nos três primeiros meses corria tudo às mil maravilhas. Depois tornou-se um inferno. Ele era muito ciumento, começou a dar escândalos. Armava confusão por motivos fúteis. O problema era que eu o amava muito. Fazia de tudo por ele, achava que um dia tudo iria mudar... que ingenuidade... Acabámos e voltámos várias vezes, e chegou a um ponto que nos chateávamos por qualquer motivo. Decidimos realmente que não iria dar certo e acabámos definitivamente.
Eu fiquei muito mal em casa, não tinha vontade de sair, não conseguia dormir.
Passaram-se sete dias, não aguentei e liguei para casa dele. No meio da conversa, ele disse que tinha saído com uma rapariga e tinham curtido, e ainda, teve a falsidade de dizer que tinha sido para me esquecer. Nunca irei esquecer aquele momento ao telefone. Parecia que alguém tinha espetado uma faca no meu coração. Contive as lágrimas ao telefone e mantive a voz, serena, falei que não havia problema e que nunca mais iria procurá-lo. Desliguei o telefone, dirigi-me ao quarto. Parecia que mais nada nesta vida fazia sentido, não consegui dormir naquela noite.
Os dias foram passando e a dor foi piorando. O meu rendimento no trabalho caiu muito, eu não me importava com mais nada. Ao chegar a casa tinha vontade de lhe ligar, mas o meu orgulho não deixava. Quando ia dormir, rezava muito para esquecer aquele amor que só me dava tristeza. Não adiantava... Os primeiros quinze dias foram terríveis, mas depois o coração foi-se adaptando. Consegui deixar as emoções de lado e comecei a pensar nos factos, fui assimilando melhor, e tudo foi passando até voltar ao normal, mas claro, quem, por vezes não tem recaídas de pensamentos pelo ex? Isso é normal. Depois de três meses, adivinha quem me ligou... Era ele! O meu coração bateu mais forte, tinha sido apanhada de surpresa, passaram mil e uma coisas na minha cabeça numa fracção de segundos e tive vontade de chorar e de rir ao mesmo tempo. Por fim, voltei à realidade, sem nenhuma excitação, a minha voz ficou serena, conversei normamelmente, mas nada de intimidades, estava a ser 'seca'. Num certo momento, ele pede para conversar comigo pessoalmente porque ainda me amava. Os meus olhos encheram-se de lágrimas, o meu coração sabia que eu iria sofrer, então, do nada, comecei a cantar a seguinte música: "Cuide bem do seu amor, seja quem for..." Ele começou a chorar ao telefone. Comecei eu também a chorar, mas continuei a cantar e a ouvi-lo suplicando e pedindo para voltar, pois sabia que tinha errado muito e que tinha perdido a pessoa que mais valorizava. O meu coração não teve outra saída, desliguei lhe o telefone na cara e decidi então, naquele mesmo dia, tirar umas férias. Dois dias depois estava na praia, sozinho, sentado na areia e a observar as ondas. Era um final de tarde... Aquilo tudo era tão bom... Estava-me a sentir muito bem, até que toca o telemóvel. Era a minha mãe, a dar a notícia de que o meu ex tinha sido encontrado morto, suícidio... Ao lado dele foi encontrada uma carta onde dizia: "Pai e Mãe, eu amo-vos muito, não fiquem tristes por mim, pois a vida não tem mais sentido. Eu tive a pessoa mais importante do mundo nas minhas mãos e deixei escapá-la. Eu amo a Cátia e amarei eternamente, sei que ela não quer ficar comigo agora. Calma mãe, calma não fiquem chateados com ela... Eu sou o culpado, eu tratava-a como se fosse uma qualquer... Quando acabámos, descobri que ela era tudo para mim. Tenho um recado e quero que vocês passem para todos os jovens: CUIDE BEM DO SEU AMOR, SEJA QUEM FOR..."
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