domingo, setembro 19, 2010

A Carta

Dou por mim a imaginar. Queria escrever-te uma carta.
Contar-te-ia tudo o que foste e tudo o que não és.
Dir-te-ia os segredos que guardo comigo. Sim, nós também temos o nosso segredo. Poucos ou nenhuns o sabem. E matamos a saudade ao tentar a indiferença perante a nossa presença na mesma sala.
Se custa? Só Deus sabe.
Não te poder olhar nos olhos e mostrar a verdade. Mas no fundo, somos imunes a todas as mentiras que atentamos um contra o outro.
Sinto-te a entrar para além do meu olhar mentiroso e chegas tão fundo que me desvio dos teus olhos que me lêm.
Oh! Pudesses tu ser uma das minhas mais velhas paixões para poderes ocupar o mesmo lugar que elas... No passado e no esquecimento.
Queria dizer ainda que gostava de te ter um dia, um só dia.
Que me agarrasses na mão e mostrasses ao mundo o que verdadeiramente és. Mostrar-me-ia contigo. Trocaríamos sorrisos cumplices e beijos molhados de desejo de prolongar o dia, de fazer de um dia, dias, meses, talvez até anos!

Como esta carta nunca sairá de mim, resta-me dizer-te que te sinto a falta.


Ana Estrelinha

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